Capela de Nossa Senhora do Pranto

Dados do Património
Nome: Capela de Nossa Senhora do Pranto

Tipologia:
 
Arquitectura Religiosa, cultural e devocional
 
 
Descrição:
 
Localizada ao cimo da vila, no Bairro do Pranto. Edifício constituído por corpo, capela-mor e sacristia, com alpendre de colunas que antecede a porta principal, com abóbada de tijolo curva. A capela-mor encerra um retábulo de colunas torcidas e com as imagens de Nossa Senhora do Pranto, S. Sebastião e uma outra.
 

 
Edifício orientado no sentido Nascente-Poente, com frontaria principal a Poente. Possui alpendre de colunas que antecede a porta principal, com abóbada de tijolo, curva. Na parte Sul, rasga-se uma porta travessa que dá acesso à rua pública. Na parede Nascente do lado exterior, observam-se restos de duas cruzes de azulejos azuis, setecentistas, provavelmente pertencentes a um conjunto da Via Sacra. Sobre o alpendre frontal, rasga-se uma janela e no fecho situa-se o campanário com a respectiva sineta. A sacristia localiza-se a Norte da capela-mor. Construção forte em alvenaria, apoiada em contrafortes e muro de suporte a Norte e Nascente. Iluminação natural do corpo e capela-mor através de várias janelas e postigos. Telhado de duas águas com telha de cano, pináculos nas extremidades e nas empenas das paredes com cruzes apontadas. Plano rectangular de uma só nave, arco cruzeiro, corpo, capela-mor e coro. Na capela-mor encontra-se um retábulo maneirista, com a Virgem entronizada. Nossa Senhora do Pranto é uma escultura de calcário, do século XV, atribuída ao Mestre João Afonso e veio da capela arruinada. No corpo, junto ao arco cruzeiro, do lado Norte, o nicho com a escultura maneirista processional da Senhora do Pranto. No coro, encontra-se o púlpito de pedra, apoiado em duas consolas.
 
 
Nota Histórica Pormenorizada:
 
A primitiva capela localizava-se a Norte da actual e encontrava-se em ruína no século XVI devido às enchentes do Rio Mondego. A construção actual deve-se à doação testamentária de 1674 do licenciado Manuel Soares de Oliveira, natural de Pereira. Este exerceu os cargos de Assessor e Auditor Geral do Governador e Capitão Geral em Manila (Filipinas). No testamento mandava que se comprassem 3 aguilhadas de terra na costa do monte fronteiro à velha Ermida de Nossa Senhora do Pranto que se encontrava arruinada e que se construísse nesse terreno, que ficava ao pé da estrada, uma capela para onde fosse transferida a Imagem de Nossa Senhora do Pranto. Mandava ainda que se instituísse nesta capela uma Colegiada com seis capelães e que se dissesse missa todos os sábados. Esta colegiada existiu até 1849, data em que morreu o seu último capelão. A dotação era grande e, por isso, a sua fábrica era rica: paramentos de veludo, castiçais e lâmpadas de prata. Estas estariam sempre acesas, para o que havia 400$000 reis anuais, estabelecendo-se ainda uma colegiada de seis capelães com vários encargos espirituais. Toda esta opulência foi desaparecendo com o passar dos tempos.
 

Fonte: cm-montemorvelho-pt