Igreja da Misericórdia

Dados do Património
Nome: Igreja da Misericórdia

Igreja de planta longitudinal, de uma só nave, com coro-alto assente em colunas. Tem capela-mor e na nave três retábulos e tribuna dos mesários suportada por colunas jónicas.
 
Nota Histórica:
 
A Misericórdia foi instituída em 1574. A Igreja foi construída a partir da Capela de Nossa Senhora da Piedade. Sofreu obras e acrescentos ao longo dos séculos.
 
Observações:
 


Descrição Pormenorizada:
 
A fachada, tendo à esquerda a torre e à direita a nova casa do despacho, mostra um portal estilisticamente análogo ao do Colégio de S. Pedro, no pátio da Universidade de Coimbra, exemplo do barroco - joanino, raro na região centro. Enquadram o seu vão rectangular dois pares de colunas coríntias, o friso decorado de enrolamentos, sobre os começos de frontão interrompido assentam as esculturas rudes da Caridade e da Esperança. A meio, sobre o vão, uma composição de pilastras decoradas encerra um baixo-relevo, da Senhora da Misericórdia. No triângulo da empena, um escudo nacional entre decoração barroca, mais tardia. A torre apresenta porta ornamentada e remate quadrado, bolboso e de fogaréus. A porta do despacho, de meados do século XVIII, é ladeada por duas colunas jónicas, englobando na composição a janela - sacada e varandim de ferro. A igreja é de uma só nave, possui pavimento de mosaicos, tecto de arestas de madeira no corpo (sem pinturas) e capela - mor em estuque. O acesso à igreja faz-se por porta travessa a norte do corpo e pela porta da fachada, onde existe tapavento e confessionários de madeira. Sobre o tapavento, está o coro-alto (com orgão inoperacional) assente em duas colunas centrais e duas pilastras laterais decoradas, tendo as centrais pias de água benta circulares. No corpo da igreja, ladeando o arco cruzeiro, estão altares colaterais com retábulos de talha nacional, enquadrados por colunas torcidas, da fase joanina e ornamentadas com motivos barrocos: vegetalistas, figurativos e fauníticos. As tribunas desses altares são ocupadas por esculturas de madeira de S. José e Santo António. A capela - mor situa-se num plano superior ao do corpo, através de degraus de pedra. O retábulo maneirista é de largas composições salomónicas com grinaldas de flores e exuberantes construções do barroco - joanino onde predominam motivos vegetalistas, figurativos e fauníticos. Tem camarim central ocupado pela escultura de Nossa Senhora da Piedade. No remate está o escudo nacional apresentado por anjos tarifários. As esculturas maneiristas de Santa Ana e S. João Baptista enriquecem o retábulo principal. Todos os retábulos, de colunas torcidas, da fase joanina (o altar-mor data de 1731 e os colaterais de 1738), foram executados por Jerónimo Ferreira de Araújo, mestre entalhador. Possui a tribuna usual dos mesários, típica das Misericórdias, colocada à direita e de colunas lisas jónicas. A capela - mor e o corpo da igreja revestem-se de painéis de azulejos, enquadrados em composições concheadas com altas e decoradas cabeceiras recortadas, azuis na capela - mor e polícromos no corpo. São puro fabrico coimbrão, de oficina artesanal, obra executada entre 1770 e 1785. Os da capela - mor representam temas Marianos e os do corpo evocam cenas da vida de Jesus Cristo, sendo à direita cenas da infância e à esquerda da Paixão alternando com paisagens. Sob a Casa do Despacho, do lado direito da Igreja, fica a Casa do Lavabo, local provável da antiga capela, singelamente decorada e a sacristia onde está um arcaz de almofadas, obra do mestre carpinteiro de Santo Varão, Manuel João Seco, executado antes de 1744. O tecto é de madeira pintada de enrolamentos e grinaldas a envolver o escudo nacional executado por Domingos Correia e Manuel Pereira, em 1748.
 
Nota Histórica Pormenorizada:
 
A Misericórdia foi instituída numa antiga capela, dedicada à Senhora da Piedade, que continua a ser a padroeira actual. Esta capela era administrada por uma Confraria, com a mesma designação que possuía, para além da capela, Casa para Sessões, Torre de Despacho e Albergaria para acolher passageiros e peregrinos. Em 1498, o Juiz desta Confraria solicitou ao monarca, D. Manuel I, "Privilégio de Misericórdia", uma mercê concedida, com Provisão e Compromisso, concretizados no ano de 1574, transformando-se em Irmandade de Misericórdia e constituída por 80 Irmãos. Fizeram-se obras de arranjo e complemento, confirmando-o uma pedra - cartorio anno 1724. Já antes de 1727 se mandara elaborar um projecto mas só com a entrada, nesse ano, para provedor, do capitão-mor Felix de Carvalho Pimentel, que serviu até 1753, se pensou seriamente na reforma. A 2 de Janeiro de 1729 assentaram-se as paredes (foi pedreiro António Gonçalves) Fizeram os madeiramentos dos telhados José Migueis e Francisco Neto. A 27 de Maio de 1730, estavam acabadas as paredes, madeiramentos e telhados. A frontaria só teve o remate definitivo nos anos de 1748-49, pelo pedreiro de Ançã, Matias de Andrade. A torre elevou-se de 1753 até 1757, obtendo os últimos arranjos em 1758, como indica a data sob o mostrador. A Misericórdia, ao longo dos tempos, tem-se regido por "Compromissos": 17/07/1748; 25/09/1861; 20/02/1870 e Estatutos de 22 de Agosto de 1913.
 
Fonte: cm-montemorvelho.pt