Arlindo Ferreira de Almeida

Co-fundador do Grupo Folclórico da Vila de Pereira, Arlindo Ferreira de Almeida, nasce em 4 de Novembro de 1914, vivendo na Quinta de S. Luiz.

 

A brasonada família dos Couceiros, reconhecendo-lhe dotes de extrema sensibilidade para o desenho e pintura, chegaram a indica-lo para frequentar as Belas-Artes.
 
Iniciaria a sua carreira profissional no Liceu Pedro Nunes, em Lisboa.Foi no Museu Nacional de Arte Antigo, para onde entretanto se transferira, onde contactou com a realidade das artes plásticas e de trabalhos de restauro, tendo como “mestres” o Dr. 
 
João Couto, Director do Museu e com o Conservador do mesmo, Abel Moura, este último possuía uma oficina de restauro de pintura.
 
Foi neste Museu, onde colaborou, nas exposições, de entre outros artistas, como: Mário Chicó, João Couto, D. Maria José Mendonça, Abel de Moura, Aires de Carvalho, Reinaldo Santos, Ricardo Espírito Santo, João Soares, entre outros artistas.O Museu Nacional Machado de Castro, para onde foi transferido a seu pedido, em 1951,foi a sua última paragem no seu percurso profissional até à aposentação, tendo chegado à categoria de Chefe de Pessoal.
 
Os Paços de Guimarães foram por si decorados, por três vezes, bem como o Mosteiro de Alcobaça, aquando duma vista da Rainha de Inglaterra a Portugal.No período em que trabalha em Coimbra, e dado o seu grande apego ao torrão natal, sempre tudo fez para o seu enriquecimento, focalizando-se na problemática cultural com particular enfoque no património construído, á etnografia e folclore (recorda-se que, em 11 de Abril de 1966, foi um dos fundadores do Grupo Folclórico da Vila de Pereira, em conjunto com Raul Simões Pereira, José Ferreira Torres, Padre Francisco Almeida e Álvaro Pereira Medina.
 
O restauro de pintura foi uma das suas grandes paixões, actividade a que de dedicou de corpo e alma, após a aposentação.
 
As Queijadas de Pereira mereceram sempre um carinho muito especial da sua parte, cujo estudo aturado, alicerçado em grande pesquisa, o conduziram ao encontro com um quadro intitulado de “Natureza Morta com Doces e Barros”, que é um óleo sobre tela da autoria de pintora Josefa de Óbidos, pintado em 1676 e mede 80cm de altura e 60cm de largura, que pertence ao Biblioteca Municipal Braamcamp Freire de Santarém, onde, segundo fazia questão de frisar, naquela tela estavam pintadas as Queijadas de Pereira.
 
Foi sempre uma personalidade dialogante e humilde, bom contador de histórias e com uma sabedoria, ao nível artístico, invejável.