Manuel Soares de Oliveira

Filho de Pedro Simões de Oliveira e Antónia Soares, ambos sepultados na Igreja Matriz da Vila de Pereira, onde ambos eram “naturais e vizinhos da Villa de Pereira, Bispado de Coimbra, aonde eu nasci”.

 
Manuel Soares de Oliveira, faleceu em 3 de Setembro de 1675, em Manilla, nas Filipinas, onde era Assessor e Auditor geral do Governador, Capitão Geral e Presidente da Real Audiência da cidade de Manila.
 
Casou, em primeiras núpcias com D. Catherina Xinete e com D. Maria Gomez de Castilha, em segundas núpcias. Ambas as esposas eram damas da nobreza espanhola, não deixou qualquer descendente escrevendo na altura “e ao presente nam tenho filho nenhum natural, nem legítimo”
 
No livro “Terras de Montemor-o-Velho”, de 1944, Augusto dos Santos Conceição, refere-se a Manuel Soares de Oliveira como o “obreiro dos primeiros alicerces do benemérito Colégio dos Órfãos – que talvez não existisse sem a dádiva deste ilustre pereirense – a câmara de Coimbra tem em aberto uma dívida para com Manuel Soares de Oliveira, pois o seu nome não ilustra nenhuma das ruas da cidade”.
 
Em 1 de Julho de 1990, aquando da realização do Congresso do Baixo Mondego – Região e Património, a população de Pereira rendeu homenagem a este seu ilustre conterrâneo, toponimizando o seu nome numa das ruas da Vila, muito próxima da Capela de Nossa Senhora do Pranto, pois foi por sua vontade, expressa em testamento, realizado em 1674, que foram compradas “três aguilhadas de terra na costa do monte fronteiro à Irmida velha de Nossa Senhora do Pranto, que se achava desprezada entre vinhas no terreno próximo do Mondego e se construise neste terreno comprado ao pé da estrada que vem de Coimbra umma capella magestosa e elegante (...) para onde fose transferida dita image (...) recomenda ritual romano, sino e alâmpada de prata, que staria sempre aceza(...)”.
 
Desse testamento, para além da compra do terreno para a edificação da Capela de Nossa Senhora do Pranto, deixam-se aqui outros exemplos de demandas e dotes:
 
  • 400 cruzados para comprar uma lâmpada de prata, com feitio, para o Altar do Santíssimo Sacramento da Vila de Pereira;
  • 200 cruzados, como dote, para os filhos, netos ou bisnetos dos seus tios Maria Simões e Francisco Simões;
  • 60000 patacas “compridas”, oriundas do Novo México, para a fundação de um Colégio de Meninas Órfãs;
  • 40000 patacas “compridas”, para a fundação do Colégio dos Meninos expostos e Órfãos, que especifica, no aludido testamento, que terão “manto e barrete azul e Capelão virtuoso, bons costumes e buscar ama.”
  • “Mandas” de dinheiro que rendam anualmente 1000 cruzados para fundar 6 Capelas;
  • “Mandas” de dinheiro que rendam anualmente 100 cruzados para a compra de 50 fangas de milho miúdo e zaburro, para ser repartido pelos naturais da Vila de Pereira a 20 de Abril e 50 fangas de trigo e outras 50 de linhaça para emprestar aos naturais da Vila de Pereira para semearem e pagarem no tempo da colheita 1/5 da produção.